Investir em Segurança Não Basta: Por Que os Ataques Continuam Crescendo no Brasil?
- 30 de jun.
- 3 min de leitura
Nos últimos anos, as empresas brasileiras ampliaram significativamente seus investimentos em segurança da informação. Soluções de proteção avançadas, monitoramento contínuo, inteligência artificial e ambientes em nuvem mais robustos passaram a fazer parte da realidade de organizações de todos os portes.

Mas existe uma pergunta que merece atenção:
Se estamos investindo mais em segurança, por que os ataques continuam aumentando?
A resposta pode estar nos dados divulgados pelo estudo Panorama do Risco Cibernético no Brasil 2026, elaborado pela Vultus. O levantamento aponta que a probabilidade de ataques hackers bem-sucedidos aumentou 3,7% no último ano, mesmo diante de um crescimento de 5,6% na maturidade de segurança das organizações brasileiras.
O problema continua sendo o básico
Quando pensamos em ciberataques, é comum imaginar ameaças sofisticadas, inteligência artificial sendo utilizada por criminosos ou técnicas extremamente avançadas de invasão.
Contudo, a realidade demonstrada pelo estudo é muito diferente.
Mais de 70% das invasões analisadas tiveram origem em falhas consideradas básicas:
45,2% dos acessos iniciais ocorreram por vulnerabilidades conhecidas, configurações inadequadas e falhas na gestão de identidade;
26,2% aconteceram por meio do uso de credenciais válidas comprometidas.
Isso significa que grande parte dos incidentes poderia ser evitada com controles fundamentais de segurança devidamente implementados e monitorados.
Os números que acendem o alerta
Alguns indicadores apresentados pelo relatório ajudam a dimensionar o cenário:
38,1% dos ambientes em nuvem avaliados operavam sem autenticação multifator (MFA);
35,7% dos ataques exploraram senhas previsíveis;
21,4% utilizaram credenciais vazadas fora do ambiente corporativo;
Em 23,8% dos testes foi possível acessar VPNs sem qualquer informação prévia.
Esses dados revelam uma realidade preocupante: muitas organizações ainda possuem fragilidades em controles básicos de acesso, autenticação e gestão de identidades.
Enquanto o mercado debate Inteligência Artificial, automação e computação quântica, inúmeros incidentes continuam ocorrendo por falhas conhecidas e facilmente exploráveis.
Tecnologia madura, governança frágil
Outro ponto relevante trazido pelo estudo é o desequilíbrio entre tecnologia e governança.
O relatório identificou que a tecnologia foi o pilar com maior nível de maturidade entre as empresas avaliadas. Em contrapartida, a governança apareceu como o componente mais frágil da estrutura de segurança.
Isso demonstra que muitas organizações conseguem adquirir ferramentas modernas, mas enfrentam dificuldades para estruturar processos, definir responsabilidades e manter uma gestão contínua dos riscos.
Na prática, segurança não depende apenas da tecnologia instalada, mas da forma como ela é administrada e integrada ao negócio.
Continuidade de negócios: a lacuna que poucos enxergam
Talvez um dos dados mais preocupantes do levantamento seja relacionado à continuidade operacional.
Apenas 23% das empresas avaliadas possuem processos estruturados para garantir a continuidade dos negócios diante de um incidente cibernético.
Isso significa que, mesmo quando existem controles de proteção, muitas organizações não estão preparadas para responder adequadamente a uma crise, recuperar operações críticas ou minimizar impactos financeiros e reputacionais.
A pergunta deixa de ser "se um incidente ocorrerá" e passa a ser "quando ocorrer, a empresa estará preparada para responder?".
Segurança da Informação é uma estratégia de negócio
Os resultados do estudo reforçam uma mensagem importante: segurança da informação não pode ser tratada apenas como aquisição de ferramentas.
Uma estratégia efetiva exige:
✔ Governança de segurança bem definida;
✔ Gestão contínua de riscos;
✔ Conscientização dos colaboradores;
✔ Revisão periódica de acessos e identidades;
✔ Planos de resposta a incidentes;
✔ Continuidade de negócios e recuperação de desastres;
✔ Monitoramento constante dos controles implementados.
A tecnologia é indispensável, mas sozinha não garante resiliência.
Conclusão
O cenário atual demonstra que maturidade tecnológica não significa, necessariamente, maturidade operacional.
As empresas brasileiras estão evoluindo em segurança, mas os atacantes também estão evoluindo — e continuam explorando exatamente os mesmos erros de sempre.
O maior desafio não está apenas em investir mais, mas em investir melhor, fortalecendo governança, processos e cultura de segurança.
Porque, no final das contas, a diferença entre uma empresa que sofre um incidente e uma empresa que supera um incidente não está apenas na tecnologia que ela possui, mas na capacidade de responder, recuperar e continuar operando.
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